a minha mão é água
que se dilui
minha memória é brasa
consome lentamente
reverbera nas cinzas
se a mão alcançasse a brasa
amarrava as cinzas a cada gota
numa corrente
onde me deito
25 de Abril de 2011
12 de Dezembro de 2010
7 de Novembro de 2010
nem sempre tem de ser poesia. pode ser simplesmente as pernas arregaçadas, os pés molhados na areia. as ondas rasas em direcção aos pés, o olhar raso em direcção ao mar. as mangas prolongadas a aquecer as mãos, as mãos agarradas ao prolongamento das costuras. o céu frio, a luz baça. o corpo de pé imóvel a água parada no tempo.neste momento não há poesia. só há uma inundação de palavras que não encontram dono nem destino, não têm fuga nem caminho. existem apenas e querem cessar. querem seme-ar semterra. querem vo-ar de cabeça e aterr-ar sem pés.
deixo-as. levo-as comigo e abandono-as ali. arregaço os braços e as pernas, raso o olhar, turvo o céu e digo-lhes que o mundo é delas. a-penas.
4 de Outubro de 2010
22 de Setembro de 2010
todos os dias se escrevem tantas cartas dentro de mim
.
mas perdem-se os rascunhos
nas imensas palavras
que correm nas minhas veias
.
nunca chegam a semear-se
e caem
já frutos maduros
.
a largar aroma em suco doce
.
..................................................................que se entranha lentamente
..................................................................na minha pele
12 de Setembro de 2010

deitei-me no chão e deixei os olhos abertos
colados às ervas
para veres finalmente o que eu vejo
cantei baixinho o teu nome
em todas as línguas do mundo
chamei-te em surdina
na língua da minha terra
esperei todo o dia por esta luz
mas só vieram as flores
que continuam a ouvir a canção do teu nome
da boca da terra
5 de Agosto de 2010
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